quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Artigo do nosso parceiroSaber Viver

Saúde

Hiperandrogenismo feminino

Quando as hormonas masculinas se manifestam mais do que queremos

Hiperandrogenismo feminino

O hiperandrogenismo define-se por ser um conjunto de sinais e sintomas que resultam de um nível elevado de androgénios (hormonas masculinas) no sangue.
Pode também ser decorrente de um aumento da sensibilidade a estas hormonas nos órgãos onde actuam. No fundo, trata-se de um excesso de produção de hormonas masculinas que potencia determinados sinais desconfortáveis para uma mulher.
Até porque, geralmente, é um problema exclusivamente feminino visto que, como refere o endocrinologista Jorge Dores, «níveis elevados de androgénios no sangue têm poucas ou nenhumas repercussões no homem». As manifestações e sintomas mais comuns do hiperandrogenismo são o hirsutismo (excesso de pêlos), a amenorreia (irregularidades menstruais) e a alopecia (queda de cabelo).
Na adolescência, a ausência de menstruação, a oleosidade excessiva do cabelo e a acne podem ser comuns. Já em mulheres adultas, o hiperandrogenismo pode ser consequência da Síndrome dos Ovários Policísticos, cuja consequente dificuldade em engravidar é a principal razão para a procura de ajuda especializada.

Qual a sua causa?

Uma das causas mais comuns (80% dos casos) de hiperandrogenismo é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Conhecida como um dos distúrbios endócrinos mais comuns nas mulheres e sendo a causa mais frequente de infertilidade feminina, a SOP, na sua forma mais leve, não apresenta manifestações mas gera uma maior dificuldade em engravidar e induz a uma maior probabilidade de aborto espontâneo. As formas mais graves são caracterizadas por sinais de hiperandrogenismo. A sua origem é desconhecida, porém, alguns estudos sugerem uma origem genética influenciada por factores ambientais.
Ainda assim, nem todos os sinais de hiperandrogenismo são provocados pela SPO. Falando especificamente do hirsutismo (excesso de pêlos), as causas são várias e, como refere o especialista Jorge Dores, podem estar relacionadas também com uma «resposta exagerada do folículo piloso (estrutura que dá origem ao pêlo) a níveis normais de androgénios, tratando-se de hirsutismo idiopático», ou com a «ingestão de medicamentos que podem estimular o crescimento dos pêlos (corticosteróides e anabolizantes, por exemplo)».
De qualquer forma, o especialista faz questão de referir que, embora muito raramente, o excesso de pêlos decorrente de hiperandrogenismo «pode ser a manifestação de uma doença mais grave, como tumores (benignos ou malignos) dos ovários ou das glândulas supra-renais».

É grave?

Geralmente não. Se considerarmos um caso de hiperandrogenismo não associado a problemas de fertilidade causadas por SPO, a maior complicação está no próprio desconforto dos sintomas. Aliás, só se procede a um tratamento específico, e com recurso a medicação, «se existirem sinais que efectivamente perturbem a saúde da mulher», refere Jorge Dores. O índice de gravidade é medido com base nos sinais clínicos e nas causas.
Como refere o endocrinologista, «quando o hiperandrogenismo é grave há sinais francos da acção das hormonas masculinas na mulher (virilização), como voz grave, aumento da massa muscular, perda de cabelo da região temporal e aumento do clítoris. Estas situações são raras e estão geralmente associadas a tumores dos ovários ou das glândulas supra-renais, órgãos produtores de androgénios».

Como prevenir?

Sendo um problema de origem essencialmente genética, não há técnicas de prevenção infalíveis. Ainda assim, a ligação entre o hiperandrogenismo e a obesidade está provada e, por isso, é aconselhável evitar o aumento de peso. Para além disso, «deverá ter-se algum cuidado com a toma de certos medicamentos, como esteróides anabolizantes para aumentar a massa muscular, dado que não são desprovidos de actividade androgénica».

Como tratar?

A terapêutica recomendada para o hiperandrogenismo é personalizada e tem por base as causas do problema, que devem ser avaliadas por um endocrinologista. O tratamento médico consiste na correcção hormonal através de medicamentos (contraceptivos orais, medicação anti-androgénica, glucocorticóides e/ou metiformina, por exemplo), que deve funcionar enquanto complemento de tratamentos estéticos que atenuam os sinais mais desconfortáveis, como o excesso de pêlos ou a calvície.
De qualquer forma, o especialista Jorge Dores refere que o tratamento hormonal só é geralmente levado a cabo «se existirem sinais que perturbem a saúde da mulher». Para além disso, «sabe-se que existe uma estreita relação entre o hiperandrogenismo e a obesidade, havendo uma melhoria das suas manifestações quando a mulher perde peso». Por isso, é aconselhável a adopção de um plano de perda de peso, já que «esta medida é mais benéfica do que a administração de qualquer medicamento», conclui o especialista.

Veja na página seguinte: Sinais a ter em conta

Sinais a ter em conta

Não ignore os sinais Podem ser sintomáticos de um quadro de hiperandrogenismo e devem justificar uma consulta médica para despiste:

- Acne

Excesso de oleosidade da pele, mais comum na adolescência, fase em que é mais intensa e resistente do que a acne comum.

- Cabelo oleoso

Sintoma mais comum na adolescência.

- Hirsutismo

Excesso de pêlos ou aparecimento dos mesmos em zonas tipicamente masculinas como rosto, peito e/ou costas. É menos frequente em mulheres asiáticas, africanas e nórdicas.

- Amenorreia

Irregularidades menstruais, ausências e atrasos frequentes.

- Alopecia

Queda de cabelo precoce, maioritariamente no topo da cabeça.

TRATAMENTOS ESTÉTICOS

- Fototerapia para a acne

É realizada com um aparelho que emite uma luz de alta intensidade que ataca a propionibacterium acnes, bactéria relacionada com a acne.

- Peeling para remover a acne

Consiste em provocar uma esfoliação superficial da pele, mediante a utilização de agentes químicos (ácido glicólico ou ácido salicílico, por exemplo).

- Limpezas de pele para remover acne

Limpeza profunda dos poros, com extracção dos pontos negros e borbulhas, seguida da desinfecção e hidratação da pele.

- Fotodepilação para combater o hirsutismo

O objectivo é a destruição progressiva do folículo piloso através da emissão de um feixe de luz. Pode ser feita com laser ou com luz pulsada intensa, consoante o tipo de pêlo.

- Tratamentos capilares para travar a alopecia

Tratamentos feitos em casa com fórmulas personalizadas, complementados com a aplicação médica de produtos vasodilatadores através de mesoterapia. O objectivo é travar a queda capilar e recuperar os folículos.

Tratamento hormonal versus gravidez

Relativamente ao tratamento hormonal do excesso de pêlos, o especialista Jorge Dores refere que «quando se inicia o tratamento com medicamentos, devem ser cumpridas duas regras básicas, a paciente deve ser advertida para não esperar a melhoria do hirsutismo em menos de seis meses, visto que esta é, aproximadamente, a 
semi-vida dos folículos pilosos)».
Na sequência disso, «deve-se informar a paciente e a família de que a duração da terapêutica é longa porque a produção de androgénios ou o aumento da sua sensibilidade é persistente. No entanto, como regra, os medicamentos correntemente disponíveis para o tratamento do hirsutismo devem ser suspensos quando se pretende uma gravidez», refere ainda o especialista.

comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário