sexta-feira, 10 de outubro de 2014

IMPRIMIR
ESPECIAL
Um espaço conquistado
As lésbicas saem do armário, querem ter filhos e admitem até mesmo relacionamentos com homens
JOÃO LUIZ VIEIRA
Há algo de novo nas ruas e quem anda de olhos bem abertos já deve ter percebido. As lésbicas estão cada vez mais à vontade. Começam a deixar os tradicionais guetos homossexuais para se expor publicamente. Andam de mãos dadas em livrarias da moda, cinemas, restaurantes e supermercados. Às vezes arriscam trocas de carinhos nos cabelos e até beijos. Fazem isso sem constrangimento e, freqüentemente, com muita feminilidade. Não há nada nessas garotas que lembre aquele antigo estereótipo masculinizado. Elas são elegantes, cuidam do corpo, gostam de maquiagem e usam roupas sensuais. O novo universo homossexual feminino ganhou complexidades que não faziam parte da vida das militantes gays do passado. Atualmente, as lésbicas que não são mães planejam se tornar algum dia – e não necessariamente com os recursos da fertilização em laboratório. E mais: a maioria delas não descarta a possibilidade de eventualmente namorar rapazes. 'Como o termo 'lésbica' ainda é carregado de significados negativos, muitas garotas buscam um caminho mais experimental e preferem ficar em cima do muro', diz Paola Patassini, mestre em comunicação e semiótica, com especialização em sexualidade humana pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 'Lésbica em vários casos pode ser mais uma questão de 'estar' que de 'ser'.'

ÂNGELA PRADO
29 anos, paulistana, psicóloga
Denise Adams/ÉPOCA
Para mim, ir para o Fica Comigo, na MTV, faz parte de um processo. Estou unindo o útil ao agradável, já que estou solteira há dois anos. Namorei meninos na minha adolescência até me apaixonar por uma amiga, aos 17 anos. Ela era heterossexual e ainda é até hoje. Só que, como eu, teve a curiosidade de experimentar. Ficamos juntas oito meses. Fui a única mulher da vida dela. Contamos para nossos pais e não fui bem recebida em casa. Eles cortaram minha mesada, tentaram proibir, mas continuei a encontrar minha namorada escondido. Meus pais são conservadores e naquela hora precisei compreender os limites deles. Dois anos depois, eles terminaram me aceitando melhor. Meu pai chegou a convidar uma de minhas namoradas para um jantar em sua casa – e ele mal cozinha, foi apenas uma forma de reaproximação. Quanto às pessoas mais jovens, foi menos traumático. Não perdi amigos, meus irmãos e meus sobrinhos sabem e reagiram supernaturalmente. Passado algum tempo, morei na Austrália durante três anos e recebi visto de residente por causa de um relacionamento com outra mulher. Foi uma experiência fantástica conhecer uma sociedade onde as diferenças são respeitadas.
O descompromisso com a bandeira gay e com a própria condição homossexual tem contribuído para o aumento da exposição. Em outubro, a MTV deve levar ao ar a edição totalmente feminina do programa Fica Comigo, apresentado por Fernanda Lima. Já existe uma 'querida' – a moça que, no palco, escolherá uma entre as várias pretendentes que se inscreveram pela internet para a versão moderna do Namoro na Tevê. A paulistana Ângela Prado, de 29 anos, foi a selecionada. No programa, depois de três eliminatórias, ela elegerá a finalista entre as candidatas – já são mais de 50 – e dirá se aceita beijá-la na boca, ao vivo, diante das câmeras. 'Não estou ansiosa. Eu sou a oferta, espero pela demanda', brinca. O assunto está na moda. No mês passado, na Fashion Rio, o desfile mais aplaudido foi o da grife Totem, que levou o casal Vanessa Andrade, de 23 anos, e Bianca Jahara, de 30. A Parada Gay deste ano, em São Paulo, teve como tema principal as mulheres homossexuais e mais de 150 mil delas desfilaram em plena Avenida Paulista, numa cena até recentemente inimaginável.
Lá fora, o fenômeno é notado com maior intensidade ainda. Celebridades como as atrizes Winona Ryder, Christina Ricci e Angelina Jolie, por exemplo, já admitiram flertes homossexuais. Julia Roberts, a mulher mais poderosa de Hollywood, foi flagrada por paparazzi aos beijos com uma 'amiga' numa discoteca de Nova York – o que não a impediu, no mês passado, de se casar com um homem. No primeiro videoclipe da dupla pop Tatu – Yulia Volkova, de 15 anos, e Lena Katina, de 16, duas cantoras russas que seguem o estilo Britney Spears –, elas aparecem se beijando na boca e cantando: Eu não sou ninguém sem ela/ Perdoem-me, papai e mamãe. O seriado americano Sexo e a Cidade, exibido na TV por assinatura, vai mostrar na próxima temporada a brasileira Sônia Braga – que já admitiu experiências com mulheres no passado – no papel de uma lésbica que conquista uma das protagonistas. Os programas de TV americanos agora incluem sem medo personagens de mulheres gays. E, diferentemente do que ocorria no passado, no papel de mocinhas. Em Buffy, a Caça-Vampiros, um dos mais populares entre os adolescentes, o casal de meninas Tara e Willow passa as cenas trocando beijos e carinhos. Xena, a Princesa Guerreira, divide o leito com sua fiel escudeira, Gabrielle. 'A glamourização do tema, com a moda do lesbian chic, ajudou a diminuir o preconceito', teoriza a cantora e militante Vange Leonel. 'Foi o mesmo efeito que o movimento black is beautiful teve, nos anos 60, em relação aos negros.'
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ANA PAULA DE OLIVEIRA
27 anos, pernambucana, comerciante, vive em São Paulo
Denise Adams/ÉPOCA
Namoro desde os 16 anos. Tive poucos namorados, queria ter certeza se gostava de meninos ou meninas. Disfarçava o tempo todo. Sou filha de militar, tive problemas com meus pais. Cheguei a sair de casa e uma tia ajudou a me reaproximar deles. Hoje, acho que vale a pena ser verdadeira. Dia desses, dei um beijo de língua na minha namorada numa lanchonete. Adolescentes pararam de comer e vieram nos perguntar se éramos artistas. Os homens têm fetiche por duas mulheres, mas ainda querem saber quem é o 'homem' e a 'mulher', como se isso acontecesse conosco. A homossexualidade é só um pedaço da minha vida. E isso não quer dizer, inclusive, que eu não possa ser mãe. Só não decidi como, ainda.
'Sem dúvida é menos complicado assumir hoje do que seria há alguns anos', diz a secretária Raíssa Correia do Amaral, carioca de 22 anos que mora em São Paulo e está à procura de uma namorada. Raíssa é o exemplo típico da nova geração de lésbicas. Não está interessada em militância gay e quer mesmo é ser bem-aceita em casa. Há três meses, quando conversou com a mãe depois de um almoço de sábado, Raíssa não foi deserdada, rejeitada, nem ouviu sermões. A viúva Terezinha Raposo, de 47 anos, prometeu se esforçar para entender a filha. Apenas não escondeu seus limites. 'Quando ela trouxer a namorada aqui em casa, fingirei para mim mesma que são amigas', conforma-se. 'Costumamos fazer planos para os filhos, mas eles só cumprem se quiserem.'
A maior liberdade que as lésbicas de hoje encontram para assumir sua opção tem uma explicação simples e pouco romântica: a independência financeira. Assim como as mulheres ganharam voz ativa ao entrar no mercado de trabalho em meados do século XX, as meninas ganharam passaporte para sair do armário quando começaram a viver da própria renda. Uma moça solteira e independente, que vive sozinha, tem muito mais dinheiro para gastar que uma dona-de-casa. 'Como são financeiramente livres, podem escolher o caminho que quiserem', explica o médico Jairo Bouer, especialista em sexualidade adolescente. A luta pela liberdade sexual da geração que hoje tem filhos e filhas foi outro fator que facilitou a vida dessas garotas. 'A revolução sexual dos anos 60 mostrou que arranjos sociais, costumes e normas não são eternos e podem ser mudados', diz a doutora em educação Guacira Louro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especialista em sexualidade.
As estatísticas indicam que cerca de 10% da população mundial já teve algum tipo de experiência com pessoas do mesmo sexo, em algum ponto da vida. Considerando que no Brasil há 48 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, a chamada Geração Milênio deve ter cerca de 5 milhões de gays, lésbicas, bissexuais e pessoas que estão 'experimentando'. Aparentemente esse universo não está crescendo, mas ganhando visibilidade. Um dos motivos para isso é a internet. 'As garotas descobriram que não estão sozinhas. Elas trocam confidências on-line, publicam anúncios à procura de parceiras e ficam sabendo de avanços políticos e sociais em outros países', teoriza Laura Bacellar, dona da Edições GLS, fundada há quatro anos. Em saraus literários mensais, Laura reúne grupos de mulheres que gostam de mulheres para discutir ficção e vida real. Antes eram umas dez por sessão. Hoje elas já passam de 100.
Uma pesquisa encomendada pela MTV ajuda a entender a geração que aceita essas garotas. Os jovens de hoje são mais individualistas que no passado – portanto, menos preocupados em dar satisfações da própria vida. São mais tolerantes em relação a diferenças – por isso, não fiscalizam as opções sexuais dos amigos. E criam sua identidade por meio do consumo, o que obriga o mercado a conhecê-los e satisfazê-los, seja qual for a tribo à qual pertençam. Na cidade grande, as lésbicas são apenas mais uma das tribos, como os skatistas, os metaleiros ou os clubbers. Tribo cada vez mais visível. Quando a agência de publicidade Leo Burnett criou a campanha para a Fiat, com o slogan 'Está na hora de você rever seus conceitos', decidiu incluir um comercial em que um casal lésbico vai a uma reunião de pais, na escola. 'Concluímos que a sociedade já tem uma relação mais saudável com as mulheres homossexuais', diz Felipe Luchi, um dos diretores da agência. Há dois anos, o faturamento das 30 empresas que compõem a Associação dos Empresários GLS do Brasil cresceu 30%, contra os 4% da economia nacional no mesmo período.
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ITA CATRINA
33 anos, pernambucana, auxiliar-administrativa
Léo Caldas/Titular
Assumir meu desejo por outras mulheres não foi fácil. A educação nordestina é muito centrada nos valores tradicionais. Mantinha minha escolha em segredo, preocupada com a opinião dos meus pais e da vizinhança. Só aos 26 anos consegui ir a uma festa GLS. Percebi, então, que não era nenhum bicho-de-sete-cabeças. Descobri que havia garotas como eu, e não apenas mulheres masculinizadas. Logo depois comecei a namorar uma menina e decidi abrir o jogo em casa. Minha mãe deu apoio, mas meu pai até hoje prefere fingir que não sabe de nada. Às vezes, ele fica falando barbaridades sobre gays na minha frente, mas não ligo mais. Tirei um peso das costas e deixei de ser introvertida. Acho muito legal ver que de uns cinco anos para cá as garotas estão se libertando com mais naturalidade. Mas ainda existem aquelas que mantêm um namoradinho de fachada. Minha atual namorada, por exemplo, sempre teve desejos por mulheres, mas se mantinha hétero. Ela está decidindo como contar para a mãe.
A cena de garotas beijando garotas provoca cada vez menos surpresa na noite das grandes cidades. Em São Paulo, há 20 boates e bares dirigidos a esse público. Em Salvador e no Recife já se vê uma paisagem nova na noite, com lésbicas freqüentando ambientes heterossexuais ao lado das namoradas. No Rio de Janeiro, junto da tradicional Le Boy, a mais famosa boate gay da cidade, abriu recentemente a La Girl, com pista de dança de mármore cor-de-rosa e dançarinas de biquíni dentro de gaiolas de ferro. A danceteria Bunker94 organiza todo domingo um baile que virou tradição – batizado sutilmente de Discotcheka. A estudante Juliana, de 22 anos, conta que na boate GLS Bastilha, no bairro de Botafogo, cada vez encontra mais garotas em busca de novas emoções. 'Já fiquei com mais de uma que nunca tinha tido nada com mulher e pretendia apenas experimentar', diz. A poucas mesas de distância, a analista de sistemas Lívia, de 23 anos, conta que gosta de mulheres, mas mantém um namoro com um rapaz. 'Sou tímida e é difícil até para mim mesma entender o que acontece. Nas boates hétero, vou com o namorado. Quando estou lésbica, venho aqui', resume.
Boa parte das mulheres que dizem 'estar' homossexuais explica sua decisão por falta de paciência com os homens. 'Alguns com os quais me envolvi falharam quando precisei de um companheiro', diz a estudante Carolina Franchon, paulistana de 22 anos, que namora uma editora de arte. O argumento mais freqüentemente ouvido nesse grupo é que, com a liberdade sexual, os homens não estão mais interessados em criar vínculos, mostram-se pouco dispostos a conversar e esquecem as gentilezas.

RAÍSSA DO AMARAL
22 anos, carioca, secretária, vive em São Paulo
Denise Adams/ÉPOCA
Perdi a virgindade cedo e namorei muitos homens. Fui amante de um casado, tive um filho e pode ser que um dia volte a namorar rapazes. No momento estou desencantada. Não acho que os homens sejam confiáveis. Quando resolvi namorar uma mulher, não sabia por onde começar e decidi colocar um anúncio na internet. Cheguei a conhecer uma menina que não queria um relacionamento fixo, pois já tinha namorado. Isso é bem comum, aliás. Essa coisa de separar amor e sexo, que os homens sempre fizeram, é descoberta recente para mulheres como eu. O curioso é que muitos homens responderam ao anúncio. Eles não se conformam que uma mulher possa preferir outra. Depois de um tempo, encontrei uma garota que me fez feliz. Ela foi companheira, amiga, amante. Contei para minha mãe e ela entendeu. Admitiu que era difícil, mas se esforçaria para aceitar. Quanto a meu filho, que ainda não tem 2 anos, será preparado para lidar naturalmente com isso. Não vou me esconder para ele não se chocar no futuro.No final das contas, não quero que me julguem. Hoje, estou convicta da minha escolha, mas, se descobrir que isso não me interessa mais, mudo meu percurso sem culpa.
Apesar da crescente liberdade, a vida não é toda cor-de-rosa para as garotas que saem do armário. A estudiosa Guacira Louro ressalta que a tendência geral ainda é a discriminação. 'Continua difícil assumir um estilo de vida que foi visto durante tanto tempo como desvio, pecado, doença', diz. Se a independência financeira facilita a aceitação das jovens de classe média, as mais pobres não têm essa chance. 'Mulher de periferia não pode assumir, porque apanha do pai, é discriminada no bairro e pode até perder o emprego', afirma a carioca Daniela Duarte, de 21 anos, que trabalha numa organização não-governamental de defesa das mulheres.
Na intimidade familiar, de modo geral, a crise é inevitável, até na classe média. Mesmo que não reajam de modo drástico, os pais costumam se decepcionar profundamente quando deparam com a situação. E aí se perguntam: 'Onde foi que erramos?' É uma reação compreensível. Os pais sabem que o caminho do lesbianismo em nada facilitará a vida da filha na sociedade. Diferentemente do que os homossexuais – e também muitas mulheres amargas e solitárias – costumam apregoar, o mundo não é gay. Quem tem essa orientação sexual sofre conseqüências e não há pai que queira ver um filho exposto a sofrimento. Embora cada família reaja de acordo com as próprias peculiaridades – origem, tradição, valores e princípios religiosos –, há um comportamento-padrão: seguir adiante sem tocar mais no assunto e fazer de conta que nada aconteceu. 'Há dois anos juntei coragem suficiente para contar a meus pais. Eles compreenderam, mas de lá para cá nunca mais falamos sobre isso', diz a carioca Mariana Arraes, de 23 anos.

RAFAELA FRANÇA
22 anos, carioca, comissária de bordo em São Paulo
Denise Adams/ÉPOCA
Namorei homens e o sexo era bom, mas percebi que me dava melhor com mulheres. No trabalho, contei que era lésbica e, em vez de me discriminarem, fizeram rodinhas para saber detalhes. Pura curiosidade. Dou beijo na boca da minha namorada aonde quer que vá, menos na frente de crianças. Não sou de freqüentar ambientes gays. Não vejo necessidade de me juntar para lutar por uma causa. A atitude política começa em casa, com os seus. Aos poucos, as pessoas estão entendendo que ser homossexual não é defeito nem qualidade. Não acrescenta nem diminui. É só uma característica, como ter olhos azuis ou cabelos crespos.
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Na primeira conversa, quase sempre a única, uma indagação normalmente feita pelos pais é: 'Quem a seduziu?' A idéia usual é de que alguma mulher mais velha foi a responsável. Embora realmente existam caçadoras de meninas, sobretudo na internet – em quantidade tremendamente inferior à de homens adultos caçando ninfetas –, estudos recentes mostram que a extrema maioria dessas garotas se envolveu com outras da mesma faixa etária. 'As primeiras experiências acontecem normalmente na adolescência ou na pré-adolescência', diz a antropóloga Annamaria Ribeiro, da organização Apoio a Familiares, Grupos e Homossexuais (Afagho).

CAROLINA FRANCHON
22 anos, paulistana, estudante
Denise Adams/ÉPOCA
Sempre tive atração por mulheres, mas pensava comigo mesma que não podia gostar delas. Foi um baque quando me apaixonei, há quatro anos. Entrei em depressão. Vivi a fase do bissexualismo, quando os meninos só queriam saber de ficar. Nunca tive medo de perder emprego, mas perdi amigos quando assumi. Hoje nem percebo a reação das pessoas quando troco carinhos com minha namorada. Não é para provocar, agimos como um casal normal. Se mexerem comigo, revido. Não admito ser desrespeitada. Só não vou dizer que nunca mais ficarei com homem, até porque nunca me imaginei homossexual.
Para as 79 lésbicas entre 18 e 35 anos ouvidas por ÉPOCA em quatro capitais, a conversa com a família foi o momento crucial do processo de 'sair do armário'. 'Eu estava armada, pronta para a luta, mas não encontrei conflitos nem adversidades', diz a comissária de bordo Rafaela França, nascida no conservador bairro da Tijuca, noRio de Janeiro. 'O difícil mesmo foi encarar minha mãe, que ficou um tempo sem falar comigo direito.' Vencidas as questões familiares, o próximo grande momento na vida dessas mulheres é a decisão pela maternidade. A maioria das entrevistadas declarou a preferência pelo método tradicional, em que pesem esporádicos contatos heterossexuais. 'Eu e minha namorada estamos discutindo a hipótese de ficar grávidas no mesmo período', diz a comerciante Ana Paula de Oliveira, de 27 anos. 'Uma possibilidade é transar com amigos.' Como se vê, o novo lesbianismo é mesmo um universo cheio de complexidades.

DA GRÉCIA ANTIGA ÀS PASSEATAS 
A homossexualidade feminina é tão antiga quanto a própria humanidade
Reprodução


Século VI a.C.
Safo (à dir.), poetisa grega que cantava suas amantes, é a primeira lésbica famosa. Lesbos, a ilha onde vivia, deu origem ao termo


Século XVI
Brasileiras acusadas de lesbianismo são julgadas pela Inquisição. Das 29, há apenas duas viúvas e uma solteira. As demais são casadas
Século XX – Anos 20
Os 'anos loucos', em Paris e Berlim, colocam em voga a androginia e bissexuais, como Marlene Dietrich
Anos 40
Estudos de Alfred Kinsey revelam que a quantidade de pessoas que têm desejo por gente do mesmo sexo é maior que o imaginado
Anos 60 – 70
Ao mesmo tempo que a Associação Americana de Psicologia retirou o homossexualismo de sua lista de doenças, mulheres saem às ruas pregando a liberdade sexual e o direito às diferenças
Anos 80
Países europeus começam a definir leis em que o direito à união civil não se restringe aos heterossexuais. O primeiro é a Dinamarca
Anos 90
Celebridades, como Ellen DeGeneres e Anne Heche, lançam moda posando oficialmente como casal. Outras famosas assumem



Hoje
Lésbicas aparecem com destaque em campanhas publicitárias e a Justiça concede a guarda de crianças a casais homossexuais
Com reportagem de Beatriz Velloso, do Rio de Janeiro, Eduardo Burckhardt, do Recife, e Tiago Cordeiro, de Salvador

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